Com a isenção total de tributos na importação de máquinas e equipamentos, os investimentos cresceriam significativamente a ponto de elevar o PIB?

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Enaex: especialistas evidenciam necessidade de reformas para manter e ampliar as exportações

24/11/2016

Os reflexos cada vez mais acentuados do custo Brasil nas exportações, as incertezas sobre como será o governo Trump, as consequências do Brexit e a China como economia de mercado foram os pontos que marcaram o primeiro dia de conferência do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex 2016), que ocorreu nessa quarta-feira, 23/11, na cidade do Rio de Janeiro.

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a dependência do câmbio para exportar não pode ser considerada o caminho para as exportações brasileiras em razão das constantes oscilações. Assim, é cada vez mais importante trabalhar as reformas tributária, trabalhista, previdenciária e elevar os investimentos em infraestrutura.

"O Brasil do futuro, espero que seja competitivo pelo custo da produção, sem depender da taxa de câmbio. Para isso, precisamos das reformas esperadas, que tiveram momento oportuno entre 2005 e 2007, mas não ocorreram. Estamos atrasados e temos de realizá-las", disse Castro ao ressaltar que a participação no mercado internacional, principalmente dos manufaturados, passa pela redução dos custos internos.

O executivo manifestou sua preocupação com o fato de o País exportar menos manufaturados atualmente que a média de 2006 e com o cenário de curto prazo, o qual não vê com boas perspectivas em razão da pendência das reformas e pelo período de transição.

Sobre a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, Castro diz ser impossível prever o que virá em termos de protecionismo. Em relação à China como economia de mercado a partir de dezembro, a expectativa é saber como os países vão reagir diante da possibilidade de os chineses venderem ao mundo seus produtos pelos preços que costumam praticar.

Na visão do economista e ex-ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Veloso, o País só sai da crise se tiver condição de exportar todos os tipos de produtos, principalmente os industrializados. "É hora de termos uma política industrial de apoio completo à nossa produção. A desindustrialização é uma ameaça."

A importância do agronegócio foi defendida pelo presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antonio Mello Alvarenga. Entre os primeiros exportadores do mundo em vários segmentos agrícolas o "Brasil tem dado certo no setor pela ampliação da produtividade alcançada pelos investimentos em tecnologia", afirmou. O desafio, entretanto, está na questão logística. Hoje, os produtores acumulam prejuízos pelo fato de mais da metade do transporte ser realizado via caminhão.

A simplificação e a maior agilidade nos processos de exportação e importação também foram defendidas para estimular o comércio exterior. Para tanto, a atividade deve ser vista como uma medida de Estado na visão do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Carlos Mariani Bittencourt. "Enquanto o comércio exterior for visto como uma válvula de escape, não conseguiremos ter um ambiente de negócios previsível e estável."

Por outro lado, o ministro interino da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge de Lima, defendeu que o governo entende o comércio exterior como o elemento central para gerar renda e emprego, razão pela qual diversas medidas e programas têm sido adotados para elevar as exportações, promover a industrialização das empresas e a maior abertura do comércio internacional.

O ministro afirmou que o governo tem empreendido esforços para que o Brasil possa ter maior inserção nas cadeias globais de valor, bem como avançar na assinatura de acordos internacionais com maior abrangência temática, o que tem resultado em acordos inéditos tanto em relação ao objeto quanto ao País.



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